14 de mar. de 2012

QUERO MAIS (Música elaborada na década de 60)

Quando estou nos teus braços querida,
Me apodero de grande emoção
E percebo que és toda minha vida,
No descompassar do meu coração.

Mas se acaso com muito carinho,
Julgas que já me destes demais,
O meu peito murmura baixinho:
Quero mais, quero mais, quero mais.

Meu bem, faças nesta canção
Dueto com o meu coração,
O amor, nunca, nunca é demais:
Quero mais, quero mais, quero mais!

12 de mar. de 2012

O ENVELHECIMENTO

Estou envelhecendo, é inevitável,
Quem nasce já começa a envelhecer,
Se acontecer comigo, é até louvável,
Mas, não com meus descendentes e nem com você!

Estou envelhecendo, falta-me até coragem,
De entender como isso pode rápido acontecer,
Deveríamos ser eternos na nossa imagem
Se você não me olha tododia, não vai me reconhecer.

A gente muda a cada hora, em ultrapsssagem,
Que o tempo vai correndo e não para de correr,
Melhor seria, que ele nos desse tempo de vantagem,
A fim de continuarmos os mesmos até morrer.

Porém, como disse: envelhecer é inevitável,
Basta se vir ao mundo para isso acontecer,
Mas, se acontecer comigo, acho até bobagem,
Não com os meus descendentes e nem com você!...

11 de mar. de 2012

O PREOCUPADO PENSADOR

Pelas ruas da cidade, passava um ancião pensativo que, consigo murmurava, refletindo a crise atual e como não tinha parceiro para o seu pensamento, pois todos estavam em busca das suas sobrevivências, tranquilamente caminhava no seu confabular.
Dizia a si próprio: Por que o homem luta para impedir a crise e a conjuntura atual continua a implantar os seus métodos extorsivos de custo de vida? Melhor seria que parássemos para pensar e analísássemos: Será que vale a pena a luta pela vida, quando a situação está de morte? Em que tempos o homem deixou de se divertir, de levar os fins de semana a devanear? Hoje é preciso ganhar, como ganhar, quanto ganhar?...Divertimento para quem? Porque, se uma pessoa pára, alguém fica com fome. Assim refletia o filósofo que, preocupadamente, estava analisando o mundo dos dias atuais. Em dado momento, topa com conhecido de longas datas e indaga-lhe: Você também virou máquina de sobrevivência? O velho amigo,  ironicamente, lhe respondeu: estou angariando dinheiro para minha morte, pois já estou bem próximo e o que me preocupa não é a vida e sim o cessar dela. Como hei de pagar o meu sepultamento? Será que nem posso morrer? Ou então faremos um trato: O que morrer depois custeará o enterro do primeiro, pois afinal somos bons amigos! Apressadamente respondeu o inteligente pensador: De jeito nenhum, serviços funerais estão pela hora da morte! 

FELIZ JUNTO A TI (música alaborada na década de 60)

Como me sinto mãezinha,
Feliz junto a ti,
Por ti milhões de amores
Deixei por aí,
Porque és sempre a razão
Da minha vida,
Quanto mais passa o tempo,
És mais querida.

Por ti milhões de amores
Deixei por ái,
Porque eles todos juntinhos
Não valem por ti,

Como doe meu coração,
Como fico a padecer,
Só em supor que um dia
Vou te perder!

7 de mar. de 2012

DECLÍNIO DA VIDA

Lembro-me bem daquelas festas de terreiro,
Que eu chegava sempre alegre e o primeiro,
Para ficar bem coladinho ao meu amor,
Criança linda, ainda em flor!

Ouvia o canto do primeiro boiadeiro,
Que transitava nessa ora e bem fagueiro
Para mostrar que era um bom cavalgador,
Tudo isso, infelizmente, terminou.

Agora eu vejo que naquele tempo sobranceiro,
Eu tinha a Rosa do Ranchinho e do Roceiro,
A flor que era bela, já murchou.

E eu que era tão bonito e altaneiro,
E que sempre quis ser o primeiro,
Fui o primeiro desta vida que murchou!

4 de mar. de 2012

EU HOJE AINDA NÃO BEBI

Eu o encontrei vagando pelas ruas da cidade. Seu rosto triste aparentava a angústia vivida por muitos anos, seu olhar vazio, traduzia a falta de esperança para o depois, parou no tempo. Tinha como obrigação diária, a frequência numa vendola da esquina, também precária como o seu estado físico. As suas amizades eram aqueles que perambulavam pelas calçadas a procura do nada, os que não tiveram o ontem e, possivelmente, não teriam o amanhã. A sua dormida proviória, era um carro velho abandonado próximo à minha residência, até quando alguém o tirasse de lá, pois já estava atrapalhando o trânsito.

Pobre criatura, prosseguir para que lugar, qual seria o seu destino? Nas rodas dos amigos, certa feita, eu o vi sorrir como ninguém, talvez tivesse razão para fazê-lo, afinal eles se entendiam.

Um certo dia cruzamos os caminhos, e ele, olhou-me, desprezivelmente, como se pensasse: esse é mais um burguês que infesta a nossa cidade e o governo não toma nenhuma providência! Outra ocasião, postado à minha janela, de madrugada, quando surpreendera um marginal tentando roubar o meu veículo, o vi saíndo do carro velho abandonado na rua e, apesar do acontecido, não chamou a sua atenção. Foi como não estivesse presente ou então, fatos com este, fossem por demais corriqueiros em sua vida.

Várias vezes tive o desejo de abordá-lo para falar do seu passado, dizer que eu fui o seu vizinho, que ele foi inquilino de Dona Júlia, minha avó, casa situada no topo de uma colina e rodeada de arbustos, onde as pessoas eram iguais e as crianças acreditavam no futuro. Contar de tudo que lhe pudesse interessar e alegrar, porém, o tempo inimigo daqueles que tentam a luta pela sobrevivência, impedia que assim eu o fizesse.

Certo dia, fugindo à rotina, inesperadamente, o interceptei: Radi! Ele parou, continuei a falar: você não me reconhece, eu sou o Cacá, fomos crianças juntos; O seu nome próprio é Radiomar, porém, o chamei pelo apelido para lembrar os seus pais que assim o chamavam. Você morou próximo a mim. Lembro-me bem  quando você nasceu, a alegria foi tanta de todos os seus, que eu até tive inveja, eu era muito pequeno, porém, recordo que o meu mano mais velho lhe batizou. Seus pais, eufóricos, quiseram lhe dar o nome de Boa Ventura a fim de lhe proporcionar mais sorte, já que era também o nome do seu genitor.

Constantemente as nossas famílias se reuniam para fazer alguma festa em sua homenagem. Diva, sua mãe, faleceu cedo, você deveria estar com seis e eu com doze anos, aproximadamente. Você continuou em companhia de seu pai. Eu, pouco tempo depois, me afastei e nunca mais o vi. Agora, porém, depois de longo tempo, tive a satisfação de lhe encontrar, rever o velho companheiro de infância: o Radiomar ou Radi de Boa Ventura. Como está você, em que posso servi-lo, o que quer de mim? Ele olhou-me detidamente com a expressão de súplica e disse:  Moço, me dá um dinheiro aí para eu tomar um trago, minha gargante está seca, eu hoje ainda não bebi!...     

3 de mar. de 2012

FILHA MINHA

Menina, olha que coisa linda,
Você parece muito com o seu pai
Com a expressão de uma ternura infinda,
Que no semblante se externiza e cai.

Menina, manhã que não finda,
Dia cada vez mais a clarear,
Seu rosto de alvura linda,
Os sentimentos a se despontar.

Menina, você é mais que um ser,
É a crença de um devoto e a sua inspiração,
Que vive a lhe querer, amando até morrer!

Menina, Deus se esmerou nesta construção,
Que até Ele mesmo, demorou para crer,
Se o Deus era Ele, ou você então!...